ÓLEO VEGETAL

Utilizado diariamente em nossas vidas, seja nas residências, nos refeitórios, restaurantes ou nas pastelarias, o óleo vegetal é um resíduo que merece atenção. Estima-se que uma família consuma em torno de 1,5 litro de óleo de cozinha por mês.

Consumo de óleo no Brasil:
3 bilhões de litros/ano

Fonte: Mauricio Waldaman

O óleo de cozinha é um poluente e quando despejado nos ralos ou privadas, acabam indo para o sistema de coleta de esgoto, tornando seu tratamento mais caro e quando atinge diretamente rios e lagoas, afeta o ecossistema local.

O acúmulo de óleos e gorduras nos encanamentos pode causar entupimentos, refluxo de esgoto e até rompimentos nas redes de coleta.

Uma das soluções para evitar este acúmulo é a instalação de Caixas Retentoras de Gordura nas residências e nos estabelecimentos comerciais como restaurantes, lanchonetes, padarias, entre outros.

Na área comercial, a SABESB exige caixa de retenção para a instalação da 1ª ligação de esgoto para os seguintes ramos de atividade:

  • Restaurantes, lanchonetes, padarias e afins;
  • Postos de gasolina, lava-rápidos, oficinas mecânicas e afins;
  • Lavanderias;
  • Marmoraria;
  • Hospitais, clínicas médicas, postos de saúde;
  • Supermercados;
  • Shopping Centers.

RECICLAGEM
Ainda tímida, a reciclagem de óleos vegetais vem ganhando força nas cidades brasileiras. Um fator que contribui para este aumento é a instituição da obrigatoriedade, em nível nacional, a partir de 2008, da adição de 2% de biodiesel ao diesel derivado do petróleo. E a reciclagem do óleo vegetal permite esta produção. Conheça algumas que estão em fase experimental:

  • São Paulo: o Laboratório de Desenvolvimento de Tecnologias Limpas da Universidade de São Paulo – USP promove desde 2005 o Programa “Biodiesel em Casa e nas Escolas” e recebe cerca de 20 mil litros de óleo por mês.
  • Indaiatuba-SP: desde novembro de 2006 a prefeitura coleta óleo residual e produz o biodiesel usado em dois caminhões do serviço de águas e esgotos da cidade.
  • Rio de Janeiro: O Programa de Reciclagem do Óleo Vegetal (PROVE), uma parceria entre a Secretaria de Estado do Ambiente, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Refinaria de Manguinhos, inclui os catadores na coleta do óleo residual. As cooperativas recolhem o óleo em suas comunidades e a refinaria compra para utilização na produção de biodiesel.
Mas, se reciclar óleo para fazer combustível parece algo novo, há tempos é conhecida sua utilização para fazer sabão.

Em São Paulo, o Instituto Triângulo, uma ONG que atua na região do ABC, coleta óleo armazenado por moradores de 60 mil residências, além de restaurantes, lanchonetes, escolas e hospitais. O óleo recolhido vai para a usina de produção de sabão da entidade, que atualmente processa cerca de 5 toneladas por mês. Se você quer participar desta ação, a entidade possui diversos pontos de entrega voluntária. Acesse o site e veja se há algum perto de você: www.triangulo.org.br

Outra alternativa, para quem mora em São Paulo, são as Estações de Reciclagem do grupo Pão de Açúcar. Além do óleo usado, as estações recebem todos os materiais recicláveis (papel, plástico, metal e vidro). Acesse o site e veja o mais perto de você: www.grupopaodeacucar.com.br

Fique atento para o armazenamento correto do óleo usado: após a utilização do óleo de cozinha, espere que ele esfrie e deposite em uma garrafa PET ou qualquer outro frasco com tampa. Não é necessário coar.

ÓLEOS LUBRIFICANTES

Os óleos lubrificantes podem ter origem mineral (derivado de petróleo) ou sintética (derivado de vegetal ou de síntese química). Os mais utilizados são os de origem mineral e representam 2% dos derivados do petróleo.

O uso automotivo representa 60% do consumo nacional, principalmente em motores a diesel. Também são usados na indústria em sistemas hidráulicos, motores estacionários, turbinas e ferramentas de corte.

Segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, em sua NBR-10004, “Resíduos Sólidos – classificação”, o óleo lubrificante usado é considerado resíduo perigoso por apresentar ácidos orgânicos e aromáticos polinucleares, além de metais pesados, a exemplo de cádmio, níquel, chumbo, mercúrio, cromo, cobre e dioxinas, todos potencialmente carcinogênicos.

A poluição gerada pelo descarte de 1 t/dia de óleo usado no solo ou cursos d'água equivale ao esgoto doméstico de 40 mil habitantes.

Fonte: www.ambientebrasil.com.br

A queima indiscriminada do óleo lubrificante usado, sem tratamento prévio, gera emissões significativas de óxidos metálicos, além de outros gases tóxicos, como a dioxina e óxidos de enxofre.

Fonte: www.ambientebrasil.com.br

O CONAMA – Conselho Nacional de Meio Ambiente regulamenta por meio da Resolução n° 362 de 2005, o descarte correto de óleo usado: “Art. 3° Todo o óleo lubrificante usado ou contaminado coletado deverá ser destinado à reciclagem por meio do processo de rerrefino.”

RERREFINO de óleo lubrificante: processo industrial de remoção de contaminantes, produtos de degradação e de aditivos, conferindo ao produto obtido as mesmas características de óleos básicos.

Assim, todo o óleo lubrificante usado deve, obrigatoriamente, ser recolhido e ter destinação adequada, de forma a não afetar negativamente o ambiente, sendo proibido o descarte em solos, águas superficiais, sistemas de esgoto ou lançamento de águas residuais.

Os produtores e importadores de óleos lubrificantes acabados são responsáveis pela coleta e destinação final do óleo lubrificante usado ou contaminado, proporcionalmente ao volume de óleo acabado que comercializam. Para cumprir tal obrigatoriedade, podem contratar empresa coletora regularmente autorizada junto ao órgão regulador da indústria do petróleo.

A ANP - Agência Nacional do Petróleo disponibiliza em seu site a listagem das empresas autorizadas a exercer a atividade de rerrefino de óleo lubrificante usado ou contaminado: http://www.anp.gov.br