LÂMPADAS

Existe no mercado uma grande diversidade de lâmpadas com várias tecnologias de iluminação, tonalidades, tamanhos e poder luminoso, tendo um mundo de aplicações possíveis. Existem dois tipos principais de lâmpadas: de descarga e incandescentes, classificadas de acordo com o seu modo de funcionamento1.

As lâmpadas incandescentes utilizam o processo de irradiação termal, processo com eficiência energética muito baixa, pois a maior parte da energia é convertida em calor e não em luz1. Nestas lâmpadas, 80% da energia utilizada é transformada em calor e apenas 15% gera luz2.

As lâmpadas de descarga, como o próprio nome diz, utilizam um processo de descarga de corrente elétrica conduzida por uma substância volátil (mercúrio líquido ou um gás)1. Estas lâmpadas, ao contrário das incandescentes, possuem grande eficiência energética, pois a maior parte da energia utilizada se converte em luminosidade e não em calor (podem ter um rendimento 5 vezes maior que as incandescentes). A esta categoria pertencem todas as lâmpadas que utilizam mercúrio em seu interior1:

  • Fluorescentes tubulares;
  • Fluorescentes compactas;
  • Luz mista;
  • Vapor de mercúrio;
  • Vapor de sódio;
  • Vapor metálico.

Desta categoria, as mais conhecidas são as lâmpadas fluorescentes e possuem os seguintes tipos2:

  • Lineares: utilizadas principalmente em ambientes de escritórios, comerciais, indústrias e salas de aula;
  • Circulares: são utilizadas em ambientes comerciais, mas já possuem grande utilização doméstica, pois algumas podem substituir as lâmpadas incandescentes comuns;
  • Compactas: de aplicação doméstica;
  • Coloridas e lâmpadas de néon;
  • Luz negra.

Com a crise energética brasileira ocorrida em meados de 2001 e a conseqüente necessidade de redução na meta de consumo de energia, houve sensível aumento na utilização de lâmpadas fluorescentes, sobretudo nas residências, uma vez que órgãos públicos, empresas, hospitais e universidades já utilizavam estes tipos de lâmpadas devido à economia financeira.

Contudo, aumentando o consumo destas lâmpadas, o descarte também aumenta. E este é o principal problema relacionado às lâmpadas com mercúrio.

O mercúrio, metal pesado não biodegradável e de efeito cumulativo nos organismos vivos, é considerado o elemento mais potencialmente perigoso entre os constituintes das lâmpadas1. Enquanto intacta, a lâmpada não oferece risco, porém se quebrada, emite vapores de mercúrio que são absorvidos pelos organismos vivos, contaminando-os; se forem lançadas em aterros ou lixões contaminam o solo e, mais tarde, os cursos d’água, chegando à cadeia alimentar.

A via respiratória é a mais importante via de penetração e absorção do mercúrio pelo organismo do ser humano. A ação tóxica do mercúrio se manifesta, sobretudo, nas células do sistema nervoso, originando o quadro clínico característico do mercurialismo, com tremores das mãos e eretismo, que é um comportamento anormal e introvertido1. Outros impactos na saúde humana devido a altas concentrações de mercúrio no organismo são: distúrbios renais e neurológicos (irritabilidade, timidez e problema de memória), mutações genéticas, alterações no metabolismo e deficiências nos órgãos sensoriais3.

DESTINAÇÃO DAS LÂMPADAS PÓS-USO

O destino mais comum para as lâmpadas usadas são os lixões e aterros sanitários. Nos lixões, depositadas a céu aberto e sem nenhum tratamento, a contaminação do solo e água são impactos comprovados. Quanto aos aterros, mesmo sendo uma alternativa controlada, possuem variáveis ambientais que ainda não foram quantificadas, e é incerto se a disposição de mercúrio metálico nos mesmos não irá acarretar em um problema ambiental ainda maior no futuro.

Os setores público e industrial são os maiores geradores de descarte de lâmpadas tipo HID – High Intensity Discharge (vapor de mercúrio, vapor de sódio, mista e multivapores metálicos) e lâmpadas fluorescentes, respectivamente. Em 2001, foram descartadas 80 milhões de unidades. Do descarte total, somente 3% tem destinação ambientalmente adequada por meio do processo de destruição e descontaminação. Isso é feito voluntariamente por empresas que possuem um sistema controlado de descarte de seus resíduos e/ou por aquelas interessadas em certificação pelas normas da série ISO 14.0001.

DESTINAÇÃO AMBIENTALMENTE ADEQUADA

Considerando as tecnologias existentes, as alternativas mais adequadas para o descarte de lâmpadas pós-uso são:

  • Tratamento (destruição/descontaminação): processos utilizados para remoção do mercúrio da lâmpada;
  • Reciclagem: reaproveitamento dos materiais constituintes das lâmpadas para outras aplicações.

Dos constituintes das lâmpadas, 99% são recicláveis, a saber1:

  • Mercúrio: pode ser reutilizado na construção de novas lâmpadas, termômetros e outros produtos;
  • Vidro: pode ser utilizado na fabricação de contêineres não alimentícios, misturado ao asfalto e manilhas de cerâmica;
  • Alumínio: pode ser reciclado e utilizado para qualquer fim.

Porém, o processo de reciclagem é complexo e oneroso. Nenhum processo de tratamento de lâmpadas é economicamente sustentável apenas pela venda dos materiais delas recuperados. Por este motivo, as poucas empresas brasileiras, concentradas na região sudeste, que realizam este processo, cobram pelo serviço de remoção, transporte e posterior tratamento e reciclagem das lâmpadas fluorescentes. O custo para a reciclagem e a conseqüente descontaminação destes resíduos depende do volume, distância e serviços específicos escolhidos pelo cliente.

Assim, a falta de políticas públicas, legislação específica e incentivos para a coleta e destino ambientalmente adequado das lâmpadas fluorescentes impõem para os pequenos usuários que estes depositem suas lâmpadas no lixo doméstico, contribuindo, infelizmente, com a contaminação ambiental.

Poucas cidades brasileiras possuem um sistema municipal de recolhimento das lâmpadas fluorescentes. Para saber se sua cidade é uma delas, consulte o órgão municipal responsável pelo gerenciamento de resíduos e verifique se há algum programa em andamento.

Dicas para minimizar os impactos das lâmpadas fluorescentes pós-uso:

  • Ao manusear lâmpadas queimadas evite quebrá-las. Se isso acontecer, limpe bem o local por aspiração mecânica e acondicione os cacos restantes de forma a evitar possíveis cortes;
  • Ao armazenar lâmpadas queimadas, utilize, sempre que possível, as embalagens originais, evitando assim, sua quebra;
  • Ao construir, invista em projetos arquitetônicos que valorizem a luminosidade natural, diminuindo a necessidade da utilização de iluminação artificial;
  • Se for um grande gerador, implante um programa de coleta segregada e encaminhe as lâmpadas descartadas para descontaminação e reciclagem.

Fontes consultadas:

  1. Zanicheli,C.; Peruchi,I.B.; Monteiro, L.A.; Silva João, S.A.; Cunha, V.F. - Reciclagem de Lâmpadas - Aspectos Ambientais e Tecnológicos. PUCC – Centro de Ciências Exatas Ambientais e de Tecnologias – Faculdade de Engenharia Ambiental; Campinas/SP, 2004.
  2. Atiyel, S.O. Gestão de Resíduos Sólidos: o caso das lâmpadas fluorescentes. Dissertação de mestrado. UFRS – Escola de Administração; Porto Alegre/RS, 2001.
  3. achetudoeregiao.com.br/lixo_recicle/pilhas_baterias.htm